Junto com o Festival, a história do Terra Pampeana vive

Abertura da 16ª edição conta a origem do Festival Internacional de Folclore, relembrando a trajetória do grupo Terra Pampeana, que revolucionou a cultura da cidade, levando Passo Fundo pra o mundo e trazendo o mundo para Passo Fundo.

Quem foi até o CTG Lalau Miranda assistir ao XVI Festival Internacional de Folclore de Passo Fundo, mais do que ver os grupos folclóricos, pôde se emocionar logo na abertura dos espetáculos.

Em 2024, o grande encontro de culturas também faz um resgate histórico de como tudo começou para que as memórias transcendam as gerações e os passo-fundenses nunca esqueçam como o Festival de Passo Fundo tornou-se respeitado em todo o mundo.

Para a secretária de Cultura, Miriê Tedesco, é essencial que a comunidade conheça a história do Festival para compreender por que ele não é somente um evento, mas um fragmento da identidade de Passo Fundo. “A Prefeitura assumiu a realização do Festival de Folclore desde a edição de 2022.

E, agora, nesta edição, nós pensamos que já se passaram gerações desde o início do primeiro Festival, e a maioria das pessoas que hoje vêm para assistir não têm a menor ideia de como ele começou.

Buscamos, então, trazer para essas novas gerações como é que isso tudo aconteceu”, disse.

Em 1992, Passo Fundo teve o seu primeiro Festival. A cada edição, o encontro foi crescendo, reunindo mais estados e países.

A cidade aprendeu com a diversidade, as formas de vestir e as diferentes línguas. Aprendeu sobre voluntariado e a união de esforços para que as apresentações pudessem abrilhantar os olhos de uma plateia com expectativa de ser sempre surpreendida.

Mas os primeiros capítulos foram escritos em 1984, quando algumas pessoas que dançavam em CTGs e apreciavam a cultura gaúcha queriam trazer algo diferente para Passo Fundo e o estado do Rio Grande do Sul.

Elas se reuniram e fundaram um grupo de nome e significados fortes: o Terra Pampeana.

O Terra passou a apresentar danças tradicionais de forma estilizada.

Aperfeiçoou-se nas danças de outros estados e países. Trouxe um vocal e instrumental requintados e, com trabalho de vozes, criou uma nova dinâmica de espetáculo no palco.

Revolucionou o que era feito culturalmente e passou a ser reconhecido pelo formato artístico que propunha.

“Assim que se formou o grupo de danças, veio a necessidade de alguém para tocar e alguém para cantar.

Então, em cima disso, surgiu um grupo vocal instrumental diferente das outras entidades. Trazíamos algo novo também nessa área”, conta a ex-integrante Claudete Menegat.

Lembrado por sua dança cheia de energia e vibração, não demorou muito para que o grupo começasse a receber convites para levar esta energia ao mundo.

Em 1990, depois de viajar por estados brasileiros, pela Argentina e Guiana Francesa, recebeu a missão de representar o Brasil na Itália.

O canto e dança que o Terra levou para lá durante 60 dias se transformaram em manchete de jornal: O Brasil que a Europa não conhece.

A partir da passagem pela Itália, a semente começou a germinar: a nossa cidade merecia ter o seu Festival. Como relembra o ex-integrante Fernando Tedesco. “Com a entrada de um instrumental e vocal, a gente começou a viajar pelo mundo.

Com a participação em festivais, em viagens, em grandes eventos, a gente começou a entender que aquilo era muito lindo, que aquele começo em Passo Fundo estava se expandindo.

A gente nunca imaginou que o grupo tomaria essa proporção”, menciona.

O Terra, que, depois disso, passou também pelo Chile, levou Passo Fundo para o mundo e trouxe o mundo para Passo Fundo.

Na bagagem, transportou os exemplos do que de melhor havia nos festivais de cada cada país onde esteve.

No início da década de 90, formou-se um trabalho, de muitas mãos, envolvendo novas pessoas, que apostaram nesta ideia, consolidando o primeiro Festival de Passo Fundo.

Para ninguém esquecer

A contribuição direta do Terra Pampeana para o Festival Internacional de Folclore de Passo Fundo motivou a homenagem vista durante a abertura dos espetáculos da 16ª edição.

Dançarinos e músicos transformaram-se em personagens do Terra para contar esta história e, quando o público menos espera, no palco, surgem os ex-integrantes, permitindo que as novas gerações conheçam esta história ao mesmo tempo em que muitas pessoas que acompanharam a revolução da cultura na cidade revivam as emoções de ver novamente os integrantes do grupo.

“Não se poderia jamais deixar de entender que o Terra Pampeana foi o ponto de partida, a semente do maior evento de hoje de Passo Fundo, que é o Festival. Então, para contar a história do Festival, nós teríamos que contar a história do Terra primeiro, pois foi com ele que a ideia nasceu”, considera a secretária de Cultura, que também foi integrante do Terra.

A partir da proposta de homenagear o Terra Pampeana, vieram os desafios para recontar a história de forma fidedigna: a busca por músicos que pudessem trazer a parte musical e bailarinos que entendessem e alcançassem a energia dos personagens; contatar as pessoas que fizeram parte do grupo e que, hoje, estão espalhadas por outras cidades e estados e que já não se encontravam presencialmente há muito tempo.

Para Miriê, toda a dedicação foi recompensada pelas reações da plateia. “Não esperávamos que as memórias do Terra estivessem tão vivas nas pessoas que estavam assistindo ao festival.

Elas não sabiam que o grupo viria e que este seria o tema de abertura.

Quando começaram a ver, as manifestações foram calorosas, e os aplausos, intermináveis. Vimos muita emoção”.

E esta será mais uma edição do Festival para ninguém esquecer. “Estamos revivendo as histórias. Isso é a nossa vida. Quanto tempo nós deixamos ali! Fizemos tudo isso com muito amor.

E a comunidade enxergar o Terra Pampeana como um símbolo, um modelo que fez parte da história cultural desta cidade, é muito mais que gratificante: é a confirmação de que tudo valeu a pena”, avalia o ex-integrante Gradaschi.

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