Ir para o conteúdo
Domingo, 1 de novembro de 2026
Receba no WhatsApp
Passo Fundo Notícias
Brasil

Acidente do Fokker 100 da TAM completa 30 anos: o que mudou

Queda em São Paulo, em 1996, matou 99 pessoas. Viúva de uma das vítimas conta como as famílias se uniram e mudaram regras de assistência.

Neste sábado (31), a queda do Fokker 100 da TAM, em São Paulo, completa 30 anos. O acidente aconteceu em 31 de outubro de 1996 e matou 99 pessoas. Além disso, a tragédia mudou a forma como o Brasil trata as famílias de vítimas de acidentes aéreos.

O avião, que seguia para o Rio de Janeiro, tinha acabado de decolar do Aeroporto de Congonhas. Em seguida, caiu sobre casas da Rua Luís Orsini de Castro, a cerca de 2 quilômetros da pista, na zona sul da capital paulista. De acordo com o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), isso ocorreu 24 segundos depois da decolagem. A aeronave atingiu três prédios no trajeto. O fogo tomou o local. Morreram as 96 pessoas que estavam a bordo e outras três que estavam em solo.

O que causou o acidente do Fokker 100 da TAM

A investigação apontou uma falha no reversor da turbina direita, um freio aerodinâmico que serve para desacelerar o avião no pouso. No dia do acidente, porém, ele abriu durante a decolagem, justamente quando o avião precisava ganhar velocidade. O Fokker 100 perdeu a estabilidade e tombou para a direita.

A tripulação não tinha treinamento para esse tipo de falha, que era raríssima: a chance de ocorrer era da ordem de uma em 100 bilhões. A investigação não resultou na responsabilização de ninguém.

“O luto é permanente”

Sandra Assali perdeu o marido, o cardiologista José Rahal Abu Assali, que iria ao Rio de Janeiro dar aula em um congresso e voltaria no mesmo dia. Ela o levou ao aeroporto. Cerca de 40 minutos depois, já tinha a confirmação da morte. Na época, Sandra tinha dois filhos pequenos.

“O luto é permanente”, disse ela à Agência Brasil. Para Sandra, continuar falando sobre o acidente é importante para manter a data viva.

Famílias criaram associação e mudaram regras

Porém, sem o apoio esperado da empresa, parentes das vítimas fundaram, em 1997, a Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa), que Sandra preside hoje. Até 1996, as companhias aéreas ainda não precisavam dar assistência às famílias. Depois da atuação da entidade, as empresas passaram a ter de amparar os parentes em casos de acidente.

Segundo Sandra, também mudaram a forma de investigar acidentes, o cálculo das indenizações e a reparação aos familiares. Desde então, a associação já acompanhou mais de 300 acidentes aéreos. Ela afirma que o Brasil registrou 135 acidentes aéreos só neste ano e defende que ainda há o que melhorar.

O que diz a Latam

Em nota, a Latam Airlines Brasil, antiga TAM, afirmou que se solidariza com todos os afetados e que apoiou os familiares desde o primeiro momento. Além disso, a empresa lembrou que o relatório do Cenipa, de 1997, esclareceu as causas do acidente. O documento recomendou mudanças de procedimentos na companhia e pediu modificações técnicas ao fabricante. O modelo deixou a frota em 2008.

Com informações da Agência Brasil (reportagem de Elaine Patricia Cruz).