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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Passo Fundo Notícias
Brasil

Paciente de 31 anos morre após aguardar transferência pelo GERINT

Um paciente de 31 anos, com síndrome de Down, que estava internado em estado grave no Hospital de Três Passos, faleceu nesta terça-feira (21) após mais de um mês aguardando uma transferência hospitalar pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo familiares, ele esperava desde o dia 13 de junho pela autorização para ser encaminhado a uma unidade com estrutura adequada ao seu tratamento.

De acordo com a família, o pedido de transferência estava sob responsabilidade do GERINT (Gerenciamento de Internações), órgão responsável pela regulação de leitos e pelas transferências hospitalares entre unidades do SUS no Rio Grande do Sul. Conforme os familiares, o processo retornou diversas vezes ao hospital solicitante com pedidos de complementação de informações, o que acabou prolongando a espera pela transferência.

Na tentativa de buscar atendimento especializado, a família conseguiu, por meio do GERCON (Gerenciamento de Consultas), uma consulta em Passo Fundo. Como o GERCON regula apenas consultas e exames especializados, o paciente foi transportado de ambulância até o município e posteriormente retornou para Três Passos, em um deslocamento que totalizou aproximadamente oito horas de viagem.

Ao chegar em Passo Fundo, a equipe médica constatou que o quadro clínico do paciente não era ambulatorial, mas sim de internação hospitalar. Conforme relataram os familiares, os médicos informaram que o caso deveria ter sido regulado pelo GERINT, responsável pelas transferências entre hospitais, e não pelo GERCON, destinado exclusivamente ao agendamento de consultas e exames.

Sem a internação ou a transferência necessária naquele momento, o paciente retornou ao Hospital de Três Passos. Durante o deslocamento entre as duas cidades, ele sofreu uma broncoaspiração, teve agravamento do quadro clínico e precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Passo Fundo era referência para o tratamento

Segundo os familiares, o paciente necessitava com urgência de uma ressonância magnética em equipamento compatível com sua condição cardíaca. Ele possuía uma cardiopatia e utilizava uma válvula cardíaca, o que impedia a realização do exame em aparelhos convencionais.

Ainda conforme a família, o Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, era a unidade de referência indicada pelo GERINT, por reunir as condições necessárias para o atendimento. Além da possibilidade de internação em um hospital de maior complexidade, a instituição possui o equipamento de ressonância magnética compatível com a condição clínica do paciente, considerado essencial para a continuidade da investigação e definição da conduta médica.

Transferência ocorreu pela rede privada

Segundo a família, diante da demora na regulação pelo SUS, o paciente acabou sendo transferido por meio da rede privada de Três Passos para Santo Ângelo. No entanto, apesar da remoção, ele não resistiu e faleceu nesta terça-feira (21).

A família afirma que aguardou a autorização da transferência por mais de um mês e agora cobra esclarecimentos sobre a condução do processo de regulação e encaminhamento do paciente.

Secretaria da Saúde afirma que não houve negativa de assistência

Antes da confirmação do óbito, a reportagem do Passo Fundo Notícias encaminhou questionamentos à Secretaria de Comunicação do Estado e à Secretaria Estadual da Saúde sobre os motivos das devoluções do processo e da demora na autorização da transferência.

Em nota oficial, a Secretaria da Saúde informou que não houve negativa de assistência ao paciente. Segundo o Estado, o caso foi regulado e acompanhado pela Central de Regulação com prioridade compatível com a gravidade do quadro clínico, permanecendo o paciente assistido em leito de UTI no Hospital de Três Passos durante todo o período.

Sobre as sucessivas devoluções do pedido de transferência pelo GERINT, a Secretaria explicou que as solicitações de complementação de informações fazem parte do protocolo técnico da regulação e não representam uma negativa de transferência. Conforme o órgão, as informações clínicas inicialmente encaminhadas pelo hospital solicitante foram consideradas insuficientes para uma avaliação regulatória adequada, pois não continham exame físico e neurológico detalhados, considerados essenciais diante da gravidade do quadro.

Por esse motivo, segundo a Secretaria, a Central de Regulação devolveu o processo para complementação das informações clínicas antes da continuidade da análise. O Estado afirma que esse procedimento integra a rotina da regulação e tem como objetivo evitar encaminhamentos inadequados, garantindo que o paciente seja direcionado ao serviço mais compatível com suas necessidades assistenciais.

A reportagem segue acompanhando o caso. O espaço permanece aberto para manifestações da família, da Secretaria Estadual da Saúde, do Hospital de Três Passos e dos demais órgãos envolvidos.